CONCEITOS E INTERPRETAÇÕES SOBRE A IDADE MÉDIA:
RENASCENÇA E ILUMINISMO - Século 16 ao 18: ideias pejorativas a respeito da época, sendo considerada a época de transição da Antiguidade para a “Modernidade”. Considerada a “Idade das Trevas”, de ignorância, barbárie e fanatismo religioso.
Termo “IDADE MÉDIA” ou “MEDIEVAL” foi cunhado por importantes Renascentistas, como Petrarca e Michelangelo, no século 16. A expressão tinha como significado representar o passado localizado entre o fim do Império Romano e o momento em que eles viviam, era medium tempus.
Essa expressão, carregada de elementos negativos, servia para conceituar a Idade Média como um período que deformou a cultura e os valores da Antiguidade greco-latina.
Devido a essa crítica encabeçada pelos renascentistas, surgiu o mito da Idade Média vista como “Idade das Trevas”.
Mas foi com o movimento Iluminista que o conceito de “Idade das Trevas" se consolidou. Autores como Diderot (1713-1784) e Voltaire (1694-1778) escreveram longas cartas e textos condenando o poder da Igreja Católica e seu fanatismo durante o período medieval, além, claro, de enfatizarem o pouco apego da Idade Média ao racionalismo.
Percebam que ao longo de dois séculos – do século 16 ao 18 – a Idade Média consolidou-se no imaginário ocidental como período intermediário, ganhando status de um período tenebroso, escuro. Passou a ser entendida simplesmente como um período de fanatismo religioso encabeçado pela Igreja Católica.
Além de ser caracterizada como um período de violência, barbárie e desordem, o conceito de Idade Média, ou medium tempus, transformou-se também numa referência de irracionalidade.
Os renascentistas buscavam retomar a cultura greco-romana e consideravam o Medievo um período de atraso no desenvolvimento desta cultura. Os Iluministas já consideravam esta época como um tempo de irracionalidade e fanatismo religioso.
A IDADE MÉDIA VISTA PELOS SÉCULOS 19: Romanização do período. Surgimento de ícones de bravura e heroísmo dos povos. Período de romanização e de destaque para a origem cultural e étnica das nações europeias.
Os historiadores do século 19 tomaram o cuidado de não reproduzir a visão de Idade Média como "Idade das Trevas”. Buscavam romantizar o período e atribuir-lhe importância para construção da história do ocidente.
Muitos historiadores buscavam nesse período a origem cultural e étnica das nações europeias.
Michelet afirmava que a Idade Média representava a infância do povo francês, sendo uma etapa fundamental para seu desenvolvimento moral, ético, psicológico e político.
Em tais abordagens da Idade Média produzidas pelos historiadores do século 19 surgiram também os heróis trágicos que encarnaram as virtudes eternas da potência nacional francesa, alemã e inglesa. Houve nessa época um destaque para a bravura de feitos heroicos. Joana D’Arc e o Rei Artur, são exemplos que figuraram como ícones de heroísmo no combate em busca da liberdade de seus povos.
Tais visões foram comumente explorada em livros históricos e referências artísticas, como na pintura, na arquitetura e na música.
Podemos dizer que o século 19 devolveu a "importância" à Idade Média. Mas essa restituição não foi gratuita. Ela servia antes de tudo a interesses políticos que buscavam legitimar a existência da nação com base nos referenciais extraídos da Idade Média, como se desde o século 5º os medievais já concebessem a si mesmos como um povo unido por ideais de liberdade, igualdade e fraternidade.
Nesta mesma época se desenvolveu fortemente o sentimento nacionalista, que foi alimentado pela importância dada a origem dos povos (religioso, linguístico e político) durante o Medievo.
A IDADE MÉDIA VISTA PELOS SÉCULOS 20: Popularização do imaginário popular a respeito do período em várias mídias de massa. Novas metodologias e diversas abordagem e estudos no campo acadêmico com influência direta da escola francesa dos Annales.
Durante todo o século 20, três historiadores franceses despontaram como grandes pesquisadores dessa área de estudos. Marc Bloch foi um deles, influenciado pela sociologia Durkheimiana, buscou examinar a organização dos grupos sociais a fim de perceber suas relações para, por fim, reconstituir a estrutura da sociedade.
Georges Duby foi um dos ícones da polivalência temática e metodológica no estudo da Idade Média. Ele é reconhecidamente polivalente por ter dialogado, ao longo de sua carreira como pesquisador, com as mais diversas tendências metodológicas, deixando o universo de temas clássicos como o feudalismo para se dedicar ao estudo das mulheres.
A visão de Duby a respeito da Idade Média estava marcada pela influência de Marx. Principalmente no que diz respeito a suas reflexões sobre a produção da vida material e as múltiplas formas de poder presentes nela. A partir dos anos 70 Duby se distanciou da abordagem Marxista e buscou uma “história total”, possível de ser apreendida apenas pelo estudo da mentalidade.
Jacques Le Goff é um dos ícones da História Medieval. Ajudou a popularizar a história medieval fora da área acadêmica por meio da mídia. Fez diversas pesquisas para integrar o período medieval no quadro de evolução e desenvolvimento das grandes civilizações. Seu principal objetivo era devolver a grandeza ao conceito de Idade Média, demonstrando que aquele período foi um momento decisivo na evolução do Ocidente.
Fora a abordagem desses historiadores ainda existiam diversos outros.

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