quarta-feira, 9 de março de 2016

[HISTÓRIA MEDIEVAL] - QUESTÕES UNIDADE 2



1)  Compreende bem o conceito de alteridade? Pesquise o significado desse termo, estabelecendo sua relação com o conceito de “identidade” nos estudos antropológicos.

Alteridade é a capacidade de reconhecer o próximo em sua plenitude e dignidade. É saber reconhecer os direitos e diferenças do próximo e por meio disso adquirir mais conhecimento.

Na Antropologia a alteridade é conhecida como um campo que busca estudar as diferentes culturas e etnias do ser humano. É o estudo do Homem na sua plenitude e dos fenômenos que o envolvem.
De lado oposto temos o conceito de identidade que é a capacidade de diferenciar o outro por suas diferenças e semelhanças.

Levando em conta esses conceitos podemos exemplificar com a ideia de que muito da cultura oriental hoje é vista com um certo estranhamento pelo ocidente. Muitas vezes não compreendemos o modo de vida oriental, seus costumes, cultura e religião. Isso se dá ao fato de desenvolvermos a nossa identidade sobrepondo-se a alteridade existe em nossas relações pessoais. Tal fato que não ocorria durante o período do primeiro milênio, principalmente pelas relações estabelecidas entre os povos do oriente e ocidente durante toda antiguidade histórica.

2)  O que faria um imperador aderir a uma religião até então marginalizada e vista com péssimos olhos pela maioria dos habitantes do Império Romano? Constantino teria visto no cristianismo a possibilidade de mudar a história? Teria sido um oportunista? A partir do que estudamos, discorra sobre os motivos que levaram Constantino a se converter ao cristianismo.

A conversão de Constantino é muito discutida no meio dos historiadores. Aqui trarei apenas duas teses. Vejamos:

Alguns acreditam que a conversão do imperador tenha sido motivada pela simples tendência supersticiosa da mentalidade da época, sendo que o mesmo poderia ter se convertido por sua livre vontade e fé na então nascente religião. Uma das justificativa para esta tese é de que o mesmo havia sido influenciado pelos seus pais desde sua infância ao cristianismo. Assim no decorrer de sua vida veio aderindo a uma das vertentes cristãs mesmo sem perder ligação com os costumes pagãos já que o sincretismo na época era muito comum.

Portanto, com o crescimento da religião no império e os incentivos por parte do próprio do Imperador. Houve uma contribuição para a estruturação da igreja como instituição, da qual a influência da mesma ganharia cada vez mais destaque e influência política.

Outra tese defendida por outros historiadores é de que o mesmo havia aderido ao cristianismo pelo motivo de influência política, sendo que, com o crescimento do cristianismo, logo seria necessária uma maior tolerância a religião para acompanhar as devidas transformações sociais da época. Outro fato é de que a ideologia pregada pelo cristianismo demonstrava Deus gigantesco e apaixonado pela humanidade, suscitava sentimentos mais fortes que a multidão de deuses do paganismo, que viviam para si mesmos. Desta forma era de supor que a imagem de um Imperador ligada a um deus grande o tornaria grande da mesma forma.

Vale lembrar que tais teses foram apresentadas de forma bem sucinta e representam um apanhado geral de ideias mais aprofundadas sobre o estudo e debate a respeito da conversão de Constantino.
Ao meu ver é bem provável que o imperador tenha realmente professado uma fé real a alguma das vertentes cristãs existentes naquela época, motivado principalmente por sua influência de berço e também pelo fato de que a mentalidade comum era muito ligada a crenças e superstições. Isso obviamente, não impediu que ele acabasse por manter alguns costumes pagãos, já que o sincretismo era muito comum, inclusive existe teorias de associação ao Deus Sol ao deus cristão por parte de Constantino.

Assim, é fácil supor que o mesmo fez o possível para professar sua fé e populariza-la a todo Império por meio do incentivo da centralização e instituição da fé cristã que foi adquirindo maior influência política com o tempo. 

3)  Se Ário estivesse correto, Cristo não seria divino e teria sido criado por Deus, assim como os homens. Como saber, então, em que acreditar? Qual foi o critério adotado para se certificar sobre quem postulava a verdade sobre a pessoa do “Filho”?

Em primeiro momento é importante esclarecer que no contexto de fé não nos cabe julgar quem falava a “verdade”, pois a verdade depende unicamente do ponto de vista de quem cre. Assim, devemos levar em conta que fé não é uma ciência que pode ou deve ser provada ou testada para obtenção de resultados exatos.
Retomando.

A fé promulgada por Ário se baseava na interpretação das Escrituras (que na época ainda não havia sido consolidada), sendo portanto, segundo ele, uma interpretação que deveria ser seguida pela comunidade cristã.

A condenação de sua crença veio por parte Atanásio, alegando que a fé de Ario minava a Trindade porque considerava apenas uma das pessoas como realmente divina, ocasionando uma desigualdade de substância e de existência entre seus membros.

Por fim, após diversos discussões a respeito da divindade de Cristo, foi por meio dos concílios ecumênicos que o cristianismo obteve um dogma centralizado. A partir do Concílio de Niceia que a crença ariana foi condenada como heresia e a concepção atanasiana se consolidou na Igreja.

O critério defendido Concílio determinou que o Filho havia sido gerado e não criado, pois com isso se preservava a consubstancialidade entre os dois. Ou seja: afirmou-se que a natureza do Filho era a mesma que a do Pai. Por isso, ele era tão divino quanto o Pai. Era Deus que se engajara no mundo e que, por um ato de amor e misericórdia pela criatura humana, encarnara para a remissão dos pecados e para a salvação da humanidade.


4)  Já se sente apto a traçar o caminho percorrido pelo cristianismo e estabelecer seus pontos de embate e de apoio? Faça um pequeno esboço dessa trajetória. Com essas anotações, poderá se preparar para o estudo do Caderno de Referência de Conteúdo História Medieval II.


O resumo será elaborado em um post posterior.

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