terça-feira, 15 de março de 2016

[PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO] QUESTOES UNIDADE 1

1)  O senso-comum é o conhecimento acumulado pela cultura, o qual ocorre, muitas vezes, por tentativa e erro, é espontâneo e adquirido quase sem se dar conta. No entanto, é um saber fundamental, uma vez que sem o senso comum não conseguiríamos nos orientar em nossa vida cotidiana. Sobre qual conhecimento estamos falando? Quais são suas principais características?

2)  A Psicologia Científica é um conjunto de conhecimentos coordenados ou sistematizados sobre determinados fenômenos ou aspectos da realidade. Para isso, torna-se necessário utilizar uma linguagem formal.  De qual conhecimento estamos falando?  Qual sua importância para a nossa formação profissional?

3)  Você saberia explicar como foi o movimento inicial que criou a Psicologia como Ciência?

O campo de estudo nasceu na Alemanha a partir do momento em que crescia cada vez mais o interesse e aprofundamento dos estudos em torno do celebro humano.

Um marco para a disciplina veio por meio de Wilhelm Wundt ao fundar o primeiro laboratório de psicologia na Alemanha.

Foi a partir dos conceitos e métodos utilizados por Wilhelm Wundt que a psicologia começava a ganhar um caráter mais cientifico. O mesmo levantava dados sistemáticos e objetivos entorno do estudo de reações simples a estímulos realizados sob condições controladas.

Seus métodos foram responsáveis por fundamentar a escola do Estruturalismo, fundado posteriormente por um de seus “discípulos” - Edward Titchener. Esta escola se baseava na análise e descrição das estruturas que compõem a mente. Se baseava na consciência, visando os aspectos estruturais do sistema nervoso central utilizando métodos ligados ao introspeccionismo e o experimentalismo adotado em laboratório.

4)  Veja se consegue identificar a qual escola psicológica pertence cada conjunto de características.

a)  Para o associacionismo, a aprendizagem se dá por associação de ideias, das mais simples às mais complexas; assim, para aprender um conteúdo complexo, seria necessário que a pessoa aprendesse ideias mais simples associadas àquele conteúdo.

b)  O estruturalismo preocupa-se com o estudo da consciência, estudando os  aspectos  estruturais  do  sistema  nervoso  central.  Para  realizar seus  estudos,  utiliza  os  métodos  ligados  ao  introspeccionismo  e  os experimentais, adotados em laboratórios.

c)  O funcionalismo  preocupava-se  em  dar  respostas  às  seguintes questões:  (1)  o  que  fazem  os  homens?  (2)  por  que  o  fazem?  Para isso,  apontava  a  necessidade  da  compreensão  da  consciência  e  seu funcionamento, em função de usá-la para adaptar-se ao meio.

5)  Como você diferenciaria a Psicologia aplicada à Educação e a Psicologia da Educação como disciplina-ponte.

Psicologia da Educação é uma área do saber que procura se situar entre a Psicologia e a Pedagogia, de forma a construir uma gama de conhecimentos sobre a atuação e a articulação do conhecimento da Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem e as práticas educativas, em situações reais de sala de aula. Um de seus princípios fundamentais o fato de que a educação e o ensino podem ser melhorados quando utilizamos corretamente os conhecimentos psicológicos, nas atividades de ensino.


Psicologia da Educação como disciplina-ponte: possui um objeto de estudo que lhe é próprio e busca gerar um novo conhecimento acerca do fenômeno da aprendizagem.

[PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO] RESUMÃO DOS CONTEÚDOS ABORDADOS UNIDADE 1


Grande desenvolvimento da ciência durante o século 19 tendo como base os pensamentos extremamente racionalistas de Descartes. O Avanço da ciência da época se deu pela necessidade capitalista de respostas e soluções técnicas para diversos problemas.

Neste mesmo período se desenvolveu estudos relacionados a neuroanatomia e fisiologia que aos poucos se encaminhava para os estudos da mente humana.

Vale lembrar que neste mesmo período a Alemanha era um grande centro de pesquisas cientificas e liberdade de ensino. Sendo assim foi grande a procura por novas áreas de conhecimento, principalmente o da psicologia após seu surgimento.

Por meio de Phineas Gage iniciou-se os estudos na área da psicobiologia, uma vez que se tornou possível associar o comportamento ao funcionamento cerebral.

Outro personagem importante na história da psicologia foi Wilhelm Wundt, da qual foi o “fundador” da Psicologia como disciplina acadêmica formal. O mesmo fundou, em 1879, o Laboratório de Psicologia da Universidade de Leipzig, no qual permaneceu até meados de 1917, quando, então, se aposentou.

Foi em Leipzig que estudantes de múltiplas nacionalidades se formaram e vieram a fundar diversos laboratórios de psicologia pelo mundo posteriormente.

A partir daí, a Psicologia foi institucionalizada e reconhecida pela Universidade de Leipzig, passando a fazer parte do orçamento universitário. No entanto, é interessante observar que, embora a Psicologia tenha ganhado o status de Ciência, ainda permaneceu subordinada à Faculdade de Filosofia nas universidades alemãs.

Wundt foi de extrema importância para a psicologia, pois além de ter fundado um laboratório que ganhou importância acadêmica na época, o mesmo lutou para que a psicologia se fixasse com ciência na época. Assim realizava experimentos para levantar dados sistemáticos e objetivos que poderiam ser replicados por outros pesquisadores. Para poder permanecer fiel a seu ideal científico, Wundt se dedicou principalmente ao estudo de reações simples a estímulos realizados sob condições controladas.

As ideias de Wundt acabou por fundamentar as bases do Estruturalismo que foram amplamente divulgadas por um de seus discípulos, Edward Titchener.

ESCOLAS DA PSICOLOGIA

Estruturalismo

Estuda a consciência e sua estrutura utilizando a introspecção e experimentos em laboratório.

Segundo essa vertente o psicólogo deveria analisar a mente humana com base nas unidades elementares que a compõem. Essas unidades elementares correspondem aos elementos básicos da consciência, subdivididos em: estados de sensação, imagens e estados afetivos.

O estado de sensação (vinculado à percepção) inclui as ações da visão, do olfato, do tato e da audição. Já as imagens relacionam-se às ideias, isto é, torna-se possível recorrer às lembranças. O terceiro elemento, por fim, representa os estados afetivos experimentados em situações de tristeza, amor e ódio.

O Estruturalismo foi de grande importância para que a Psicologia se tornasse uma Ciência.

Para Titchener a Psicologia pode ser entendida como o estudo dos elementos da consciência por meio da introspecção. Por meio da desta o indivíduo explora sistematicamente seus próprios pensamentos e sensações a fim de ganhar informações sobre determinadas experiências sensoriais. A tônica do trabalho era compreender o que é a mente, e os porquês de seu funcionamento. Seu objeto de estudo era a estrutura consciente da mente e do comportamento, sobretudo as sensações.

O Estruturalismo compreendia uma tradição, na qual se perguntava: o que é a consciência?

Titchener levou o Estruturalismo da Alemanha para os Estados Unidos, conforme sua concepção de Psicologia e fora dos moldes wundtianos, permanecendo em evidência por 20 anos até ser superado por outros movimentos.

Vale lembrar que o pesquisador também foi defensor do Associacionismo, razão do distanciamento de Wundt, que fazia críticas voltadas à incapacidade de os associacionistas explicarem a dimensão dos sentimentos e da vontade na vida mental.

Ainda segundo Titchener, a análise das estruturas fundamentais (processos psíquicos conscientes) e a descoberta de seus mecanismos associativos eram objetivos da Psicologia estruturalista.
Em meados do século 19, nos Estados Unidos, semelhantemente aos países europeus, houve um galopante processo de urbanização e avanço industrial, decorrendo daí um estímulo à expansão do sistema escolar.

É nesse contexto que a Psicologia passou a ter um papel relevante no ajuste, classificando e selecionando os indivíduos necessários à nova demanda nas fábricas e escolas.

Desse modo, diante de toda a modernidade, houve um estímulo, também, ao desenvolvimento das universidades norte-americanas e uma influência acentuada do evolucionismo darwinista, que contribuiu com novos conceitos, tais como adaptação, função e equilíbrio, para a Ciência da época.
Assim, com o que estudamos, Titchener mantinha uma visão da Psicologia direcionada para uma Ciência adulta generalizada; assim, ele não se interessava pelas diferenças individuais, isto é, pela singularidade entre mentes diferentes, e pelos aspectos que diferenciam um ser humano de outro.
Além disso, foram excluídos de suas pesquisas as crianças, os animais, os deficientes mentais e as pessoas incapazes, uma vez que estes jamais poderiam fazer uma introspecção.

É relevante mencionar, ainda, a exclusão da Psicologia industrial e da Psicologia da Educação de suas pesquisas.

Em 1892, Titchener levou para a Universidade de Cornell (EUA) a Psicologia estruturalista. Em 1898, tornou-se o precursor da Psicologia funcionalista ao tentar diferenciá-la de sua Psicologia estruturalista. Dessa forma, o Estruturalismo acabou evoluindo para o funcionalismo.

A época refletia a necessidade de uma Psicologia que funcionasse e, tendo em vista que o pensamento de Wundt não era adequado a ela, a Psicologia voltou-se, assim, para a aplicação.

O uso da Psicologia em diversos campos

O rápido crescimento urbano e econômico americano solicitou uma psicologia mais pragmática. Sendo assim houve um desenvolvimento de uma psicologia funcional que fosse aplicada em várias instituições como meio de “seleção” e “adaptação” dos indivíduos.

Então, a Psicologia funcional foi divulgada em todas as instâncias e passou a servir em todos os campos da sociedade, tais como as escolas, as fábricas, as pequenas e grandes instituições, entre outros. Por meio dela, os psicólogos utilizam-se de testes, o que implica a seleção de indivíduos mais adaptativos em termos mentais, e, assim, recriam a lei do mais apto à determinada função dentro da sociedade.

Funcionalismo

Estudava a consciência como sendo um constante fluxo fruto da interação com o meio em que o ser estivesse inserido.

 Procurava saber pra que serve a mente, seu funcionamento e uso.

A partir da evolução das ideias do estruturalismo iniciada pelo próprio Titchener. Temos a “fundação” do Funcionalismo por William James.

Este movimento estava voltado para o pragmatismo, que foi exigido também dos cientistas. Por isso, houve a importante busca pelas respostas para as perguntas:  o que fazem os homens? Por que o fazem? Para isso, James apontava a necessidade da compreensão da consciência e seu funcionamento, em função de usá-la para adaptar-se ao meio.

A ideia do funcionalismo era responder "para que é" a mente e não "o que é" a mente.

Sob a influência da teoria da evolução de Darwin, que foi um estímulo para o surgimento da Psicologia animal e, consequentemente, para a evolução dessa corrente, os funcionalistas, nessa escola, iam mais além e questionavam: para que é a consciência?

 A psicologia funcional enfatiza os atos ou processos mentais como objeto de estudo da psicologia. Sustenta que a mente deve ser estudada em função de sua utilidade para o organismo, tendo em conta a adaptação ao seu meio.

Willian James, também desenvolveu o conceito de que o “eu” só existe mediante suas ações no ambiente e defendeu o conceito de habito para o aperfeiçoamento e aprendizagem do indivíduo.

De acordo com James, a ideia de adaptação do ser humano caminha entre uma adaptação vital e uma adaptação psicológica ao meio ambiente. Esta última implica o fato de que a consciência, diante de um impulso à sobrevivência, conheceria, rapidamente, o que teria de ser feito em situações-problema, na busca de soluções possíveis, e não agiria dessa maneira ao acaso. Esse modelo de adaptação está presente na teoria da inteligência de John Dewey.

Dewey foi responsável por estruturar os ideais da Escola Nova, da qual teve suas bases fundamentadas no modelo de James.  O mesmo ainda enfatizou a cooperação entre os indivíduos.  Para ele, somente por meio dessa aprendizagem inteligente, poderíamos criar hábitos sólidos, formar indivíduos autônomos, ativos e capazes de atuar no coletivo de forma democrática.

Associacionismo

O Associacionismo compreendia a mente como um complexo de ideias que se relacionavam entre si. Portanto, a aprendizagem, também, ocorria pela associação das ideias, das mais simples para as mais complexas.

O maior representante dessa escola da psicologia foi Thorndike, que formulou a primeira teoria de aprendizagem da Psicologia.

Ao investigar a aprendizagem, Thorndike não admitia nenhuma referência à consciência ou aos processos mentais. Ele interpretava a aprendizagem em termos de estímulo – resposta (E-R), ou seja, a aprendizagem ocorria porque as respostas seriam selecionadas pelos seus efeitos.

Associacionismo, fruto da escola empirista britânica. Consideravam que as ideias das pessoas eram formadas por associações.

  A associação de ideias era vista como uma força que controlava os eventos mentais, embora ainda não levasse esse nome.  A aprendizagem se dava por associação de ideias, das mais simples às mais complexas. Assim, para aprender um conteúdo complexo, seria necessário que a pessoa aprendesse ideias mais simples associadas àquele conteúdo.

Nessa concepção, se as ideias são associadas em nossa mente em decorrência da nossa experiência de mundo, então, podemos afirmar que o conexionismo se baseia no empirismo.

A Psicologia conexionista interessou-se pelo estudo da adaptação do ser humano em seu ambiente, e, além de promovê-la, essa influência foi herdada do pragmatismo, que está baseado nas consequências práticas.

Dessa forma, o ambiente social passa a ser um importante regulador, apresentando a finalidade de adaptação.

Um de seus principais representantes foram Edward Lee Thorndike.

Edward estudou sob orientação de William James em Harvard, e interessou-se em investigar sobre a aprendizagem. Fez diversos experimentos com animais e logo iniciou os estudos nos problemas de aprendizagem nos seres humanos adaptando técnicas de pesquisa em crianças e jovens. Passou a dedicar-se à psicologia educacional e aos testes mentais.

Thorndike é conhecido pela Lei do Efeito, que seria de grande utilidade para a Psicologia Comportamentalista. De acordo com essa lei, todo comportamento de um organismo vivo, tende a se repetir, se for recompensado(efeito) assim que este emitir o comportamento. Por outro lado, o comportamento tenderá a não acontecer, se o organismo for castigado(efeito) após sua ocorrência.

PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

Psicologia da Educação é uma área do saber que procura se situar entre a Psicologia e a Pedagogia, de forma a construir uma gama de conhecimentos sobre a atuação e a articulação do conhecimento da Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem e as práticas educativas, em situações reais de sala de aula. Um de seus princípios fundamentais o fato de que a educação e o ensino podem ser melhorados quando utilizamos corretamente os conhecimentos psicológicos, nas atividades de ensino.

Psicologia da Educação como disciplina-ponte: possui um objeto de estudo que lhe é próprio e busca gerar um novo conhecimento acerca do fenômeno da aprendizagem.

Hunt e Sullivan fizeram as primeiras formulações da Psicologia da Educação como disciplina-ponte, criticando o reducionismo da visão da Psicologia aplicada à Educação. Ambos propuseram a adoção do paradigma B-P-E, proposto inicialmente por Kurt Lewin:

B-P-E significam: B – behavior (comportamento); P – person (pessoa) e E – environment (ambiente). Entende-se, então, o comportamento humano decorrente da inter-relação pessoa-ambiente.

OUTRAS LEITURAS:

BIBLIOGRAFIA:

Campos, Juliane Aparecida de Paula PerezPsicologia da educação I
Batatais/SP: Claretiano, 2013.



sexta-feira, 11 de março de 2016

[HISTÓRIA MODERNA] QUESTÕES - UNIDADE 2


1)  Quais transformações ocorridas no contexto de transição do Feudalismo para o Capitalismo contribuíram para o surgimento do movimento renascentista?

A principal contribuição veio por parte do desenvolvimento comercial e econômico pós-Cruzadas, da qual fez surgir uma nova classe em ascensão: a burguesia.

Com o crescimento dos centros urbanos, houve também o desenvolvimento de sedes de companhias comerciais e de grupos financeiros cujo capital sobrava. Essa grande concentração de renda excedente facilitou o investimento por parte da recém nascida classe burguesa em meios de elevar o padrão de vida para que ascendessem socialmente e se conectassem com a aristocracia.

Por este motivo, aqueles que possuíam um maior poder econômico e que almejavam uma ascensão social acabaram por se tornar os principais financiadores das produções artísticas e intelectuais da época. Estes eram chamados de mecenas, da qual foram os principais contribuidores para o surgimento do movimento cultural conhecido como Renascença.

2)  Podemos ver no Renascimento um movimento de ruptura com a Idade Média? Por quê?

Sim, é possível notar que foi durante o Renascimento que houve o resgate da cultura pagã greco-romana. Por meio deste resgate procuravam desenvolver as capacidades humanas na busca de novos conhecimentos intelectuais, artísticos e científicos por meio da valorização da antiguidade clássica que contribuíram para o desenvolvimento de uma ideologia mais humanista e menos teológica (como era na Idade Medieval).

Mesmo que ainda, mantivessem um cunho religioso entre seus pensadores. Buscavam novos meios de explicar a natureza e domina-la. Assim desenvolviam uma ideia mais antropocêntrica da qual se distanciava da ideia teocêntrica medieval.

3)  Que relação podemos estabelecer entre o Renascimento e a Antiguidade greco-romana?

É importante entender que o Renascimento tinha como base o Antropocentrismo (como já citado anteriormente). Com essa base filosófica e esse pensamento perpetuado na razão e na perfeição humana, valorizavam exageradamente a cultura Greco-Romana (da Antiguidade Clássica), principalmente os artistas renascentistas, pois julgavam os gregos e romanos possuíam uma visão completa e humana da Natureza.

O Renascimento valorizava intrinsecamente o ser humano, sua inteligência e dom artísticos, muito presente na arte, na cultura e na filosofia da Antiguidade Clássica.

4)  Por que a Itália foi o berço do movimento renascentista?

A partir do século 13 e 14, com a retomada do contato da Europa Ocidental com o oriente (pós Cruzadas), houve o desenvolvimento de cidades-Estados ao norte da Itália.

Essas cidades eram importantes durante a Baixa Idade Média, pois conseguiram impedir a formação de um Estado unificado na Itália aos moldes das monarquias que surgiam pela Europa durante o esse período. O fato que contribuiu para isto foi de que essas cidades eram grandes centros urbanos de produção comercial e manufatureira que garantiam sua força demográfica e econômica.

Assim, vemos o aparecimento de sedes de companhias comerciais e de grupos financeiros cujo capital sobrava. Fato que facilitou o investimento, por parte dos burgueses detentores deste capital extra, nos meios de elevar o padrão de vida para que ascendessem socialmente e se conectassem com a aristocracia.

Esse investimento nas produções artísticas e intelectuais da época, garantiu uma forma de criar uma legitimação de repúblicas ditatoriais, de glorificar o novo Estado e de justificar as ações da burguesia e do príncipe governante. Assim a Itália era, portanto, o cenário ideal para o surgimento do Renascimento.

5)  Como podemos caracterizar o Humanismo?

Humanismo se caracterizava como uma filosofia antropocentrista, cujo visão exaltavam o indivíduo, os feitos históricos, a vontade e a capacidade de ação do homem, sua liberdade de atuação e na sua capacidade de criar, recriar, transformar. Em outras palavras podemos dizer que o humanismo atribuía uma maior importância à dignidade, aspirações e capacidades humanas, particularmente a racionalidade da qual foi de extrema importância para o desenvolvimento do renascimento cientifico.

6)  Quais foram as inovações empregadas na arte renascentista?

Foram muitas as inovações empregadas nas obras renascentistas, da qual foram frutos diretos dos avanços de diversas áreas do conhecimento. Tais como:
Na matemática, ótica e geometria temos as seguintes inovações da qual estes conhecimentos foram aplicados: perspectiva exata, ponto de fuga, técnica do olho fixo, entre outras.
No campo artístico vemos novas técnicas de pintura, tais como: fumaçamento (sfumato), Unione, Cangiante, Chiaroscuro, etc.

Além disso tivemos inovações em diversas outras áreas tais como anatomia e psicologia.
 Esse domínio de diversas áreas por parte do artista foi afastando, no percorrer dos períodos renascentistas, os “homens comuns” do meio artístico da época.

7)  Qual a importância do mecenato para o Renascimento?

Mecenato foi importante pois foi o principal meio da qual os artistas e intelectuais do Renascimento obtiveram investimento financeiro.

Até aquele momento, a burguesia viu a necessidade de ampliar sua influência. Dessa forma passaram a investir na construção de palácios, igrejas, capelas, catedrais, esculturas, quadros, gravuras, afrescos e edifícios público e qualquer outra produção artística e cultural.

Se não fosse o interesse e contribuição financeira burguesa em buscar um meio de propagar sua influência é bem provável que todo o desenvolvimento artístico, intelectual e cientifico não obtivesse tanto êxito como fora na época.

8)  O que foi o Humanismo e quem eram os humanistas?

Humanismo foi o movimento intelectual difundido na Europa durante o Renascimento.  O mesmo valorizava a civilização da antiguidade clássica greco-romana e priorizava o saber critico voltado para o maior conhecimento do homem e o desenvolvimento de suas capacidades.
Seus conceitos eram altamente racionalistas e empirista, rompendo assim os padrões com a “Idade Medieval”.

Apesar de muitos terem a concepção de que os humanistas em geral eram ateus. Pode-se dizer que inicialmente os pensadores deste movimento partilhavam de uma fé cristã, da qual, desejavam reinterpretar a Bíblia com base nos conhecimentos adquiridos com o estudo dos clássicos e com a razão.

A ciência, para os humanistas, era uma forma de atingir a Verdade e, portanto, uma forma para os cristãos chegarem a Deus. Qualquer meio que permitisse isso era divino, e não pecaminoso. Ler, estudar e interpretar os clássicos não era o mesmo que abandonar a fé, mas um meio de fortalecê-la.
Dentre a corrente humanista surgiu outras vertentes diferentes da qual pode-se destacar os humanistas “plantonistas” da Academia de Florença, da qual buscavam a conciliação entre o pensamento antigo e o ideal cristão, o que resultou num espiritualismo difuso, que culminava na exaltação do belo, considerado como manifestação divina.

Os principais humanistas dessa vertente foram: Nicolau de Cusa, Marsílio Filino e Pico della Mirandola.

Outros a destacar são os da Escola de Pádua, da qual seguiam uma tradição aristotélica e desenvolveram um pensamento e uma atividade voltados para o estudo e a observação da natureza, acompanhados de experimentos e de pesquisa empírica.

Dos humanistas dessa vertente podemos destacar Giacomo Zabarella, Pietro Pomponazzi, Nicolau Copérnico, William Harvey e Galileu Galilei que trabalharam em Pádua por algum tempo.

9)  Quais são as características do Renascimento?

- Valorização da estética artística da antiguidade clássica (greco-romana). Os artistas renascentistas defendiam a ideia de que a arte na Grécia e Roma antigas tinha um valor estético e cultural muito maior do que na Idade Média. Por isso, que uma escultura renascentista, por exemplo, possui uma grande semelhança como as esculturas da Grécia Antiga.

 - Visão de que o homem é o principal e decisivo elemento na condução da história da humanidade. Essa visão é conhecida como antropocentrismo ("homem no centro") e fez oposição a visão teocêntrica ("Deus no centro") da Idade Média.

 - Grande importância dada às ciências e a razão. Os renascentistas defendiam a ideia de que há explicação científica para a maioria das coisas. Portanto, desprezavam as explicações elaboradas pela Igreja Católica ou por outras fontes que não fossem científicas. Este período da história foi muito significativo no tocante ao desenvolvimento das experiências científicas e do pensamento racional e lógico.

- Busca do conhecimento em várias áreas. Os renascentistas buscavam entender o mundo através do estudo de várias ciências (Biologia, Matemática, Física, Astronomia, Botânica, Anatomia, Química, etc.). Um ótimo exemplo desta visão de mundo foi Leonardo da Vinci que, além de ser pintor, também desenvolveu trabalhos e estudos em várias áreas do conhecimento.

10) Que tipos de conhecimento foram desenvolvidos na época do Renascimento?

Por meio da propagação de um conhecimento mais racionalista, empírico, otimista, naturalista e antropocentrista. O renascimento foi de extrema importância para o desenvolvimento do pensamento e atitude cientifica (do constante questionamento e aperfeiçoamento de conhecimentos) da qual proporcionou diversos avanços na ciência e na tecnologia.

Além disso, o movimento foi de extrema importância para a consolidação dos Estados-Nacionais e do nascimento de ideologias políticas e judiciais que inspiraram governos e constituições do mundo contemporâneo.

No campo das artes se desenvolveu ainda mais a capacidade de representação do espaço, da natureza e do corpo humano, ressuscitando técnicas que haviam sido perdidas desde a Antiguidade e criando outras inéditas a partir dali. A linguagem arquitetônica dos palácios, igrejas e grandes monumentos que foi estabelecida a partir da herança clássica ainda hoje permanece válida e é empregada quando se deseja emprestar dignidade e importância à edificação moderna. Na literatura as línguas vernáculas se tornaram dignas de veicular cultura e conhecimento, e o estudo dos textos dos filósofos greco-romanos disseminou máximas ainda hoje presentes na voz popular e que incentivam valores elevados como o heroísmo, o espírito público e o altruísmo, que são peças fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa e livre para todos.


O Renascimento marcou a representou a vitalidade da cultura humana e sua capacidade criativa que perpetuou sua influência até o mundo atual por meio de suas ideias, conceitos e avanços em diversas áreas.

quarta-feira, 9 de março de 2016

[HISTÓRIA MEDIEVAL] - QUESTÕES UNIDADE 2



1)  Compreende bem o conceito de alteridade? Pesquise o significado desse termo, estabelecendo sua relação com o conceito de “identidade” nos estudos antropológicos.

Alteridade é a capacidade de reconhecer o próximo em sua plenitude e dignidade. É saber reconhecer os direitos e diferenças do próximo e por meio disso adquirir mais conhecimento.

Na Antropologia a alteridade é conhecida como um campo que busca estudar as diferentes culturas e etnias do ser humano. É o estudo do Homem na sua plenitude e dos fenômenos que o envolvem.
De lado oposto temos o conceito de identidade que é a capacidade de diferenciar o outro por suas diferenças e semelhanças.

Levando em conta esses conceitos podemos exemplificar com a ideia de que muito da cultura oriental hoje é vista com um certo estranhamento pelo ocidente. Muitas vezes não compreendemos o modo de vida oriental, seus costumes, cultura e religião. Isso se dá ao fato de desenvolvermos a nossa identidade sobrepondo-se a alteridade existe em nossas relações pessoais. Tal fato que não ocorria durante o período do primeiro milênio, principalmente pelas relações estabelecidas entre os povos do oriente e ocidente durante toda antiguidade histórica.

2)  O que faria um imperador aderir a uma religião até então marginalizada e vista com péssimos olhos pela maioria dos habitantes do Império Romano? Constantino teria visto no cristianismo a possibilidade de mudar a história? Teria sido um oportunista? A partir do que estudamos, discorra sobre os motivos que levaram Constantino a se converter ao cristianismo.

A conversão de Constantino é muito discutida no meio dos historiadores. Aqui trarei apenas duas teses. Vejamos:

Alguns acreditam que a conversão do imperador tenha sido motivada pela simples tendência supersticiosa da mentalidade da época, sendo que o mesmo poderia ter se convertido por sua livre vontade e fé na então nascente religião. Uma das justificativa para esta tese é de que o mesmo havia sido influenciado pelos seus pais desde sua infância ao cristianismo. Assim no decorrer de sua vida veio aderindo a uma das vertentes cristãs mesmo sem perder ligação com os costumes pagãos já que o sincretismo na época era muito comum.

Portanto, com o crescimento da religião no império e os incentivos por parte do próprio do Imperador. Houve uma contribuição para a estruturação da igreja como instituição, da qual a influência da mesma ganharia cada vez mais destaque e influência política.

Outra tese defendida por outros historiadores é de que o mesmo havia aderido ao cristianismo pelo motivo de influência política, sendo que, com o crescimento do cristianismo, logo seria necessária uma maior tolerância a religião para acompanhar as devidas transformações sociais da época. Outro fato é de que a ideologia pregada pelo cristianismo demonstrava Deus gigantesco e apaixonado pela humanidade, suscitava sentimentos mais fortes que a multidão de deuses do paganismo, que viviam para si mesmos. Desta forma era de supor que a imagem de um Imperador ligada a um deus grande o tornaria grande da mesma forma.

Vale lembrar que tais teses foram apresentadas de forma bem sucinta e representam um apanhado geral de ideias mais aprofundadas sobre o estudo e debate a respeito da conversão de Constantino.
Ao meu ver é bem provável que o imperador tenha realmente professado uma fé real a alguma das vertentes cristãs existentes naquela época, motivado principalmente por sua influência de berço e também pelo fato de que a mentalidade comum era muito ligada a crenças e superstições. Isso obviamente, não impediu que ele acabasse por manter alguns costumes pagãos, já que o sincretismo era muito comum, inclusive existe teorias de associação ao Deus Sol ao deus cristão por parte de Constantino.

Assim, é fácil supor que o mesmo fez o possível para professar sua fé e populariza-la a todo Império por meio do incentivo da centralização e instituição da fé cristã que foi adquirindo maior influência política com o tempo. 

3)  Se Ário estivesse correto, Cristo não seria divino e teria sido criado por Deus, assim como os homens. Como saber, então, em que acreditar? Qual foi o critério adotado para se certificar sobre quem postulava a verdade sobre a pessoa do “Filho”?

Em primeiro momento é importante esclarecer que no contexto de fé não nos cabe julgar quem falava a “verdade”, pois a verdade depende unicamente do ponto de vista de quem cre. Assim, devemos levar em conta que fé não é uma ciência que pode ou deve ser provada ou testada para obtenção de resultados exatos.
Retomando.

A fé promulgada por Ário se baseava na interpretação das Escrituras (que na época ainda não havia sido consolidada), sendo portanto, segundo ele, uma interpretação que deveria ser seguida pela comunidade cristã.

A condenação de sua crença veio por parte Atanásio, alegando que a fé de Ario minava a Trindade porque considerava apenas uma das pessoas como realmente divina, ocasionando uma desigualdade de substância e de existência entre seus membros.

Por fim, após diversos discussões a respeito da divindade de Cristo, foi por meio dos concílios ecumênicos que o cristianismo obteve um dogma centralizado. A partir do Concílio de Niceia que a crença ariana foi condenada como heresia e a concepção atanasiana se consolidou na Igreja.

O critério defendido Concílio determinou que o Filho havia sido gerado e não criado, pois com isso se preservava a consubstancialidade entre os dois. Ou seja: afirmou-se que a natureza do Filho era a mesma que a do Pai. Por isso, ele era tão divino quanto o Pai. Era Deus que se engajara no mundo e que, por um ato de amor e misericórdia pela criatura humana, encarnara para a remissão dos pecados e para a salvação da humanidade.


4)  Já se sente apto a traçar o caminho percorrido pelo cristianismo e estabelecer seus pontos de embate e de apoio? Faça um pequeno esboço dessa trajetória. Com essas anotações, poderá se preparar para o estudo do Caderno de Referência de Conteúdo História Medieval II.


O resumo será elaborado em um post posterior.

domingo, 6 de março de 2016

[HISTÓRIA MEDIEVAL] - QUESTÕES UNIDADE 1



1) Esta unidade se propôs a mudar sua linha de raciocínio histórico. Para tanto, apresentou algumas abordagens historiográficas acerca do significado da Idade Média. Para fixar ainda mais esses novos conhecimentos, elabore um resumo em que as principais vertentes apresentadas sejam bem detalhadas.

RESPOSTA:
RENASCENÇA E ILUMINISMO - Século 16 ao 18: ideias pejorativas a respeito da época, sendo considerada a época de transição da Antiguidade para a “Modernidade”. Considerada a “Idade das Trevas”, de ignorância, barbárie e fanatismo religioso. Foi diretamente influenciada pelo crescente pensamento renascentista que buscava resgatar a arte e cultura da antiguidade greco-romana e posteriormente pelo movimento racionalista (iluminista) presente na época, que buscava condenar o poder da igreja. 

A IDADE MÉDIA VISTA PELOS SÉCULOS 19: Romanização do período. Surgimento de ícones de bravura e heroísmo dos povos. Período de romanização e de destaque para a origem cultural e étnica das nações europeias. Surgimento do sentimento nacionalista justificadas na origem da unidade dos povos europeus no período medieval.

A IDADE MÉDIA VISTA PELOS SÉCULOS 20: Popularização do imaginário popular a respeito do período em várias mídias de massa. Novas metodologias e diversas abordagem e estudos no campo acadêmico com influência direta da escola francesa dos Annales. 

Novas abordagens e métodos. Abordagens mais generalista da história, de forma que englobasse todos os aspectos do período medieval (política, econômica e social). Desenvolvimento dos estudos sobre o período por meio da ótica da história de longa duração e história das mentalidades.

2) Por que surge a expressão “Idade das Trevas” durante o Renascimento? Que elementos contextuais contribuíram para tal definição?

RESPOSTA:
Durante o século 14, em plena época do alvorecer do pensamento renascentista, diversos pensadores buscavam resgatar os preceitos culturais greco-romana. Isso levou com que muitos humanistas dessa época vissem a época medieval como um obstáculo para a cultura que buscavam restaurar. Segundo eles, a época medieval havia sido o responsável pela decadência da cultura ocidental do seu auge na antiguidade, sendo portanto, a “idade das trevas” ou a “idade média”. O tempo entre a Antiguidade Clássica e o tempo do renascimento daquela cultura.

No decorrer do século 17 o conceito de “Idade das Trevas” foi ainda mais difundido pelos estudiosos da época, da qual consideravam o período da ausência de civilização, da barbárie, da decadência artística, política e econômica do Ocidente. Onde apenas a ação emancipadora do Humanismo moderno renascentista teria livrado o Ocidente da estagnação.

O ápice de menosprezo ao Medievo veio com o desenvolvimento do pensamento iluminista no século 18. Inspirado pelo ideal da Razão emancipadora iluministas, pretendiam levar a “luz da Razão” para a humanidade, a fim de estimular a evolução do espírito humano.


3) Procure saber mais sobre a formação das nações e o uso do passado com a finalidade de se estabelecer uma linhagem e uma identidade cultural. A partir de sua análise, responda e comente: o uso político do passado foi uma prática utilizada pelos idealizadores das nações nos séculos 18 e 19?

RESPOSTA:
Em pleno desenvolvimento dos estados nacionais, o sentimento nacionalista foi alimentado pela crescente valorização das origens culturais dos povos europeus durante a Idade Média. Tal sentimento seria necessário para legitimar uma unidade cultural e política dos povos europeus.

Traços linguísticos, políticos, culturais e religiosos acentuaram a ideia de unificação dos povos. Sendo assim a produção histórica centrada na Idade Média esteve submetida ao desígnio de restaurar o nacionalismo de qualquer povo sob a confirmação de uma unidade no passado medieval.

4) Qual foi a principal contribuição dos estudos realizados no século 20 para o estudo do Medievo?

RESPOSTA:
As principais contribuições foram as novas abordagens e métodos de estudo e analise em torno do período. A visão mais generalista que abordou os diversos aspectos do período medieval (política, econômica e social). 
Além da desmistificação de vários preconceitos estabelecidos pelas correntes anteriores e da popularização do tema em diversas mídias de massa popular.

[HISTÓRIA MEDIEVAL] UNIDADE 1 - RESUMÃO



CONCEITOS E INTERPRETAÇÕES SOBRE A IDADE MÉDIA:

RENASCENÇA E ILUMINISMO - Século 16 ao 18: ideias pejorativas a respeito da época, sendo considerada a época de transição da Antiguidade para a “Modernidade”. Considerada a “Idade das Trevas”, de ignorância, barbárie e fanatismo religioso.
Termo “IDADE MÉDIA” ou “MEDIEVAL” foi cunhado por importantes Renascentistas, como Petrarca e Michelangelo, no século 16. A expressão tinha como significado representar o passado localizado entre o fim do Império Romano e o momento em que eles viviam, era medium tempus.
Essa expressão, carregada de elementos negativos, servia para conceituar a Idade Média como um período que deformou a cultura e os valores da Antiguidade greco-latina.
Devido a essa crítica encabeçada pelos renascentistas, surgiu o mito da Idade Média vista como “Idade das Trevas”.
Mas foi com o movimento Iluminista que o conceito de “Idade das Trevas" se consolidou. Autores como Diderot (1713-1784) e Voltaire (1694-1778) escreveram longas cartas e textos condenando o poder da Igreja Católica e seu fanatismo durante o período medieval, além, claro, de enfatizarem o pouco apego da Idade Média ao racionalismo.
Percebam que ao longo de dois séculos – do século 16 ao 18 – a Idade Média consolidou-se no imaginário ocidental como período intermediário, ganhando status de um período tenebroso, escuro. Passou a ser entendida simplesmente como um período de fanatismo religioso encabeçado pela Igreja Católica.
Além de ser caracterizada como um período de violência, barbárie e desordem, o conceito de Idade Média, ou medium tempus, transformou-se também numa referência de irracionalidade.
Os renascentistas buscavam retomar a cultura greco-romana e consideravam o Medievo um período de atraso no desenvolvimento desta cultura. Os Iluministas já consideravam esta época como um tempo de irracionalidade e fanatismo religioso.

A IDADE MÉDIA VISTA PELOS SÉCULOS 19: Romanização do período. Surgimento de ícones de bravura e heroísmo dos povos. Período de romanização e de destaque para a origem cultural e étnica das nações europeias.
Os historiadores do século 19 tomaram o cuidado de não reproduzir a visão de Idade Média como "Idade das Trevas”. Buscavam romantizar o período e atribuir-lhe importância para construção da história do ocidente.
Muitos historiadores buscavam nesse período a origem cultural e étnica das nações europeias.
Michelet afirmava que a Idade Média representava a infância do povo francês, sendo uma etapa fundamental para seu desenvolvimento moral, ético, psicológico e político.
Em tais abordagens da Idade Média produzidas pelos historiadores do século 19 surgiram também os heróis trágicos que encarnaram as virtudes eternas da potência nacional francesa, alemã e inglesa. Houve nessa época um destaque para a bravura de feitos heroicos. Joana D’Arc e o Rei Artur, são exemplos que figuraram como ícones de heroísmo no combate em busca da liberdade de seus povos.
Tais visões foram comumente explorada em livros históricos e referências artísticas, como na pintura, na arquitetura e na música.

Podemos dizer que o século 19 devolveu a "importância" à Idade Média. Mas essa restituição não foi gratuita. Ela servia antes de tudo a interesses políticos que buscavam legitimar a existência da nação com base nos referenciais extraídos da Idade Média, como se desde o século 5º os medievais já concebessem a si mesmos como um povo unido por ideais de liberdade, igualdade e fraternidade.

Nesta mesma época se desenvolveu fortemente o sentimento nacionalista, que foi alimentado pela importância dada a origem dos povos (religioso, linguístico e político) durante o Medievo.

A IDADE MÉDIA VISTA PELOS SÉCULOS 20: Popularização do imaginário popular a respeito do período em várias mídias de massa. Novas metodologias e diversas abordagem e estudos no campo acadêmico com influência direta da escola francesa dos Annales.

Durante todo o século 20, três historiadores franceses despontaram como grandes pesquisadores dessa área de estudos. Marc Bloch foi um deles, influenciado pela sociologia Durkheimiana, buscou examinar a organização dos grupos sociais a fim de perceber suas relações para, por fim, reconstituir a estrutura da sociedade.
Georges Duby foi um dos ícones da polivalência temática e metodológica no estudo da Idade Média. Ele é reconhecidamente polivalente por ter dialogado, ao longo de sua carreira como pesquisador, com as mais diversas tendências metodológicas, deixando o universo de temas clássicos como o feudalismo para se dedicar ao estudo das mulheres.

A visão de Duby a respeito da Idade Média estava marcada pela influência de Marx. Principalmente no que diz respeito a suas reflexões sobre a produção da vida material e as múltiplas formas de poder presentes nela. A partir dos anos 70 Duby se distanciou da abordagem Marxista e buscou uma “história total”, possível de ser apreendida apenas pelo estudo da mentalidade.
Jacques Le Goff é um dos ícones da História Medieval. Ajudou a popularizar a história medieval fora da área acadêmica por meio da mídia. Fez diversas pesquisas para integrar o período medieval no quadro de evolução e desenvolvimento das grandes civilizações. Seu principal objetivo era devolver a grandeza ao conceito de Idade Média, demonstrando que aquele período foi um momento decisivo na evolução do Ocidente.
Fora a abordagem desses historiadores ainda existiam diversos outros.

[HISTÓRIA MODERNA] QUESTÕES - UNIDADE 1

1- Qual a diferença entre a tese de Dobb e a de Sweezy a respeito da transição do Feudalismo para o Capitalismo?

TESE DE SWEEZY: Para este autor, o fator fundamental de dissolução do Feudalismo, que permitiu a ascensão do Capitalismo, foi a expansão comercial ocorrida entre os séculos 11 e 14, ou seja, um elemento externo ao Sistema Feudal – que não tinha o comércio como uma formulação de organização econômica típica – e incapaz de criar condições internas de uma contradição que dissolvesse o próprio sistema.
Essa ampliação do comércio a longa distância teria impulsionado o crescimento da produção para troca, criando um antagonismo fundamental com o princípio feudal de produção para uso.

Tese de Dobb: O fator fundamental de destruição do Sistema Feudal foi a pressão senhorial sobre os camponeses, na medida em que os senhores necessitavam de maiores rendas. Isto é, a desestruturação do Feudalismo foi resultado da exploração excessiva dos servos edos conflitos de classes provocados por esta atitude.
As próprias contradições internas do sistema geraram a fuga generalizada dos campos e produziram as revoltas populares, que, aliadas a outros fatores de menor importância (como os aspectos demográficos e comerciais), levaram à lenta dissolução do Feudalismo no Ocidente, permitindo o surgimento do Capitalismo.

2- Como podemos caracterizar o Feudalismo?

Sistema Feudal baseava-se na exploração da propriedade rural, chamada domínio ou senhorio. As camadas principais eram o senhor e o servo. Sendo o senhor, o dono das terras e o servo aquele que se apropriava da terra do senhor e fazia uso da mesma para seu sustento, tendo o dever de realizar um pagamento por meio de parte de sua produção ao senhor feudal.
As técnicas de cultivo eram rudimentares, resultando em baixa produtividade.
No plano político, o poder era local e as relações entre os homens eram diretas, impostas pelas necessidades de autoproteção. O poder, sendo localizado, era descentralizado.
Na religião havia predominância do cristianismo e influência da instituição religiosa na mentalidade do povo e na política.

3- Que acontecimentos ocorridos na Europa Ocidental provocaram a crise do século 14?

Tres fatores foram decisivos para contribuir com a decomposição do sistema feudal durante o século 14: A fome, a peste e a guerra.

FOME: Com o aumento da população urbana, a produção agrícola passou a não ter capacidade para atender às necessidades dessa massa localizada nas cidades. Nos séculos anteriores, a utilização de mais terras e as inovações técnicas do período áureo do Feudalismo permitiram a ampliação produtiva, que, por sua vez, redundou em um aumento populacional importante na Baixa Idade Média.

Antes do ano 1000, a subalimentação era crônica na Europa. Do século 11 ao 13, a já mencionada melhoria na produção agrícola, associada à expansão cruzadista, reduziu muito a fome e as pestes. Nesse período, a população aumentou bastante, o que acarretou um novo descompasso entre as necessidades da população e a produção agrícola, trazendo de volta o problema da fome.

A partir do final do século 13, já não restavam novas fronteiras agrícolas para ocupar, e as que estavam sendo utilizadas apresentavam sinais claros de esgotamento. Além disso, as técnicas, anteriormente inovadoras, mostravam-se insuficientes para dar conta das necessidades produtivas. Todos esses fatores unidos acabaram gerando uma sensível queda no nível produtivo da agricultura medieval.

PESTE: A desnutrição e as más condições de higiene, especialmente nas cidades, possibilitaram a ocorrência de sucessivos surtos epidêmicos, dos quais o mais importante foi o da Peste Negra, entre 1347 e 1350.

A chamada Peste Negra (1347-1350) foi, ao que tudo indica, um surto de peste bubônica transmitida por ratos. Provavelmente, a doença veio do Oriente nos navios mercantes das cidades italianas, espalhando-se por todo o continente. Os dados mais realistas afirmam que um terço da população europeia foi devastada pela doença.

GUERRA: A Europa ainda vivia um processo intenso de conflitos armados, sendo o mais importante e decisivo para a história posterior à chamada Guerra dos Cem Anos (1337-1453).
O conflito se tratava, a princípio, de problemas típicos do mundo feudal, como posse de terras de nobres ingleses em território francês, mas que, no final, acabou se configurando em um conflito de interesse nacional entre os dois países.

Além dos conflitos militares entre os reinos, internamente pipocavam diversas revoltas por parte dos camponeses insatisfeitos com o constante aumento das pressões vindas dos senhores feudais, que por sua vez, buscavam extrair deles os recursos necessários à manutenção do seu nível de vida e financiar os conflitos militares.

4- Como podemos definir a chamada “crise de crescimento” da economia europeia e qual foi a saída encontrada para superá-la?

A crise possibilitou o surgimento da economia-mundo capitalista, pois forçou os comerciantes europeus a uma expansão geográfica, criando métodos novos de controle do trabalho (não mais servil) e aparelhos de Estado relativamente fortes nos países centrais da economia-mundo capitalista.

Em meio a essas novas necessidades, viu-se na expansão marítima europeia, associada às transformações sociais nas relações de trabalho e à criação do aparelho estatal um meio de solucionar os novos problemas.

É importante entender que após o apocalíptico século 14, a produção agrícola era inferior ao necessário, em virtude dos padrões feudais de cultivo que ainda imperavam. Além disso, a produção artesanal das cidades necessitava da ampliação do mercado consumidor, as especiarias estavam ficando caras demais e havia a ausência de moeda por escassez de metais preciosos na região. Sendo assim, todos esses fatores contribuíram para que fossem criados métodos de superação da nova crise em que se encontravam.

5- Você acredita que a queda do Feudalismo foi fruto da luta de classes ou do agente externo comercial?

Creio que ambos os fatores acabaram por contribuir para a queda do Feudalismo.
Com o crescimento comercial após as Cruzadas, o padrão de vida dos senhores feudais se elevou, exigindo assim uma maior pressão sobre os servos, da qual acabou ocasionando os conflitos entre as classes.

Fora estes fatores, vale lembrar que a Europa passava por um momento difícil de guerras, fome e peste.