quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

[HISTÓRIA MODERNA] RESUMÃO DOS CONTEÚDOS ABORDADOS


Resumo geral dos assuntos abordados pelo livro HISTORIA MODERNA I.

IDADE MODERNA: a transição da Idade Média para a Moderna, o momento histórico da decadência da Igreja Católica, do Feudalismo e da nobreza, e, em contrapartida, da ascensão dos reformadores religiosos, do Capitalismo comercial e da burguesia.

ANTES DA IDADE MODERNA...

O processo de formação do Sistema Feudal começou com a crise do Império Romano, no século 3º, e terminou no fim do século 8º e início do século 9º. Do século 9º até o século 12, o Sistema Feudal foi predominante na Europa Ocidental. Ao fim desse período, começaram as transformações.


COMO ERA O SISTEMA FEUDAL:
  • Do ponto de vista econômico, destacavam-se a produção autossuficiente e a baixa produtividade;
  • Juridicamente, havia a posição dominante da nobreza e as relações de vassalagem;
  • Politicamente, percebia-se o enfraquecimento do poder central, gerando formas de poder local.

Sistema Feudal baseava-se na exploração da propriedade rural, chamada domínio ou senhorio. As camadas principais eram o senhor e o servo. Sendo o senhor, o dono das terras e o servo aquele que se apropriava da terra do senhor e fazia uso da mesma para seu sustento, tendo o dever de realizar um pagamento por meio de parte de sua produção ao senhor feudal.


As técnicas de cultivo eram rudimentares, resultando em baixa produtividade.

No plano político, o poder era local e as relações entre os homens eram diretas, impostas pelas necessidades de autoproteção. O poder, sendo localizado, era descentralizado.

Influência da Igreja na formação da mentalidade da população, sendo considerado pecado o acumulo de lucro e juros neste período.

CRISE DO SISTEMA FEUDAL A PARTIR DO SÉCULO XI

A razão básica da crise era o descompasso entre as necessidades crescentes da camada dominante (a nobreza feudal) e a estrutura produtiva (assentada no trabalho servil). O crescimento demográfico ampliava cada vez mais o número de senhores. Em contrapartida, os servos não tinham interesse no aumento da produção, pois o trabalho agrícola era coletivo, sem especialização, o que contribuía para a estagnação das técnicas de cultivo.

Para aumentar o rendimento do cultivo, os senhores feudais começaram a impor maiores obrigações aos servos, o que levou a uma evasão generalizada das propriedades feudais. Consequentemente isso marcou a ruptura das relações servis e o ponto de partida para a mudança global do sistema, pois obrigou os senhores feudais a diminuírem despesas e apelarem para o deserdamento dos filhos mais novos, que foram forçados a sair em busca de terras, feudos, para poderem reintegrar-se socialmente.   
O processo de exclusão nas camadas dominadas, servis, e nas camadas dominantes, senhoriais, criou o exército de homens disponíveis para realizar as Cruzadas convocada pela Igreja. Tal ato foi uma válvula de escape para as tensões sociais internas e a primeira grande expansão territorial da Europa depois do recuo medieval.

PRINCIPAIS MUDANÇAS DO PERÍODO E OS FRUTOS DAS CRUZADAS:
  • Abriram o Mediterrâneo, fechado pelos muçulmanos desde o século 8;
  • Fizeram entrar em circulação produtos orientais, sobretudo especiarias importadas pelas cidades italianas dos portos do Mediterrâneo Oriental;
  • As moedas, por conta dos saques feitos pelos cruzados nas cidades muçulmanas, voltaram a circular;
  • Expansão do comercio e surgimento das grandes companhias mercantis, formadas pela associação de comerciantes, que investiam capital na compra de barcos e mercadorias cujos lucros eram repartidos proporcionalmente;
  • Estimulo ao consumo dos novos produtos por parte dos senhores feudais, obrigando-os a aumentar suas rendas, produzindo para o mercado consumidor urbano;
  • Fim das relações servis, transformando os servos em homens livres que arrendavam as terras com base numa relação contratual
  • Surgimento de numerosas rotas de comércio.
  • Preponderaram as rotas marítimas e mesmo fluviais, pois as comunicações terrestres apresentavam riscos elevados, o que aumentava o custo dos transportes.
  • Surgimento das feiras de comercio entre a encruzilhada dessas rotas de comercio que pouco a pouco acabaram por se tornar cidades mercantis.
  • Surgimento das guildas mercantis, cujo objetivo era proteger seus interesses contra comerciantes estrangeiros. Surgiram a partir de associações de comerciantes que viviam nos burgos (centro comercial de um feudo).

SÉCULO XIV – O SÉCULO DA GUERRA, FOME E DA PESTE
  • Guerra dos Cem Anos, entre França e Inglaterra;
  • As chamadas jacqueries, revoltas camponesas que explodiram por todo o continente;
  • PESTE NEGRA: epidemia de uma terrível doença altamente contagiosa que os cálculos mais realistas dizem ter dizimado perto de um terço da população do continente.
  • Fome por toda Europa ocidental, decorrente a quebra do sistema agrícola decorrente dos conflitos, revolta e devastação da Peste;

Nesse momento, um processo decisivo ocorre na Europa, especialmente na Península Ibérica, a chamada centralização monárquica, ou seja, a formação dos Estados Nacionais Modernos.

A crise enfraqueceu os senhores feudais e diminuiu o poder que a nobreza exercia sobre o restante da população da Europa ocidental. Sendo assim, as revoltas camponesas levaram os senhores feudais a buscar apoio no rei, juntamente a burguesia que possui interesses ligados ao rei.

A centralização de poder auxiliou os burgueses no processo de obtenção de riqueza e acumulação de capital e a centralização garantia um mercado consumidor e força militar para auxiliar na luta contra as burguesias de outros países pelos diferentes mercados e produtos.

O ABSOLUTISMO EMERGE!

Apoiado pelos interesses da burguesia e da nobreza. Tem-se a consolidação dos Estados Nacionais Modernos, da qual centralizava todo poder político-ideológica as mãos do rei. Este novo estado foi chamado de Absolutismo. 

A evolução do processo de centralização e, portanto, de absolutização do poder, apresentou três momentos bem demarcados:

  • Etapa feudal, na qual os reis se esforçaram para ganhar destaque entre seus vassalos, transformando o poder de direito em um poder de fato; 
  • Etapa moderna, entre os séculos 15 e 16, na qual os reis procuraram criar suas próprias instituições (Conselhos, corpo de funcionários, exércitos); 
  • Etapa de consolidação, entre os séculos 16 e 18, na qual a racionalização e a burocratização atingiram o apogeu, definindo a forma moderna do Estado.

Após a formação dos Estados absolutistas, rompe-se definitivamente com as estruturas de poder feudal, isto é, a destruição das relações feudo-vassálicas, da servidão. Chega o fim da Idade Média.
Surge um Estado centralizado em torno do rei, forte, com exércitos regulares, burocracia permanente, sistema tributário unificado, códigos de lei e mercado nacional.

Durante os séculos 16, 17 e 18, surgem teorias para justificar o poder do rei, da qual demonstravam a necessidade da consolidação desse poder para o bem da nação e de seus súditos, na medida mesmo em que esse rei representa o desejo divino.

Foi o surgimento desse Estado que permitiu a emergência das chamadas Grandes Navegações, as quais tiveram propósitos científicos, econômicos, políticos e ideológicos. De todas essas razões, a mais decisiva foi a econômica. Os burgueses eram, naquele tempo, o grupo social mais dinâmico. Suas atividades minavam os alicerces do mundo feudal. Unindo-se aos reis, tornaram a sua força ainda maior.

AS GRANDES NAVEGAÇÕES

Não demorou muito para que as atividades econômicas tivessem a necessidade de se expandir. 
Logo, vejamos os motivos que levaram a expansão marítima por influência burguesa:
  • Primeiro: o comércio, em si, não aumentava. A lista de artigos que eles podiam oferecer era pequena e, se alguma coisa não acontecesse logo, continuaria pequena.
  • Segundo: as especiarias estavam ficando caras demais. E o número de compradores começava a diminuir perigosamente. Os comerciantes sabiam por que as especiarias estavam tão caras: havia intermediários demais no negócio. Cada um desses intermediários queria ganhar a sua parte. E, desse jeito, os preços iam subindo cada vez mais. Até chegar ao ponto em que ninguém mais podia comprar.
  • Terceiro: os metais preciosos, de que se faziam as moedas, começavam a escassear.
A solução para esses problemas apareceu naturalmente. Com a descoberta de novas terras, a lista de artigos para comprar e vender aumentaria. Eliminando o máximo possível de intermediários no negócio das especiarias, os preços seriam menores, mais gente compraria, e os lucros seriam muito maiores. E, além disso, no seio das novas terras dormiriam o ouro, a prata e o cobre.

As Grandes Navegações, que envolviam aspectos políticos (de poder para os novos reis absolutistas europeus), religiosos (a busca de novos fiéis), eram sobretudo uma empresa de interesse econômico que retirou a Europa do marasmo que poderia levá-la à estagnação definitiva, principalmente depois da tomada de Constantinopla pelos turcos em 1453.

SURGIMENTO DO RENASCIMENTO

As transformações econômicas e políticas tiveram correspondência nas transformações culturais e religiosas. O Renascimento é uma expressão dessas transformações no campo cultural. E a Itália foi seu berço.

Os burgueses buscando o prestigio e ascensão social, resolveram se ligar a aristocracia por meio do financiamento de produções artísticas e intelectuais dos renascentistas. Assim foram chamados de mecenas. Estes buscavam um modo de vida nobre.
Os burgueses passaram a investir na construção de palácios, igrejas, capelas, catedrais, esculturas, quadros, gravuras, afrescos e edifícios públicos. Queriam passar uma imagem de otimismo, de opulência da sociedade, de dinamismo, de progresso; valores fundamentais para a classe social em ascensão.

Neste período surge o racionalismo, da qual só foi possível no instante histórico de ascensão da burguesia, visto que a necessidade de domínio da natureza para ampliar mercados e, portanto, lucro, impulsionava uma nova forma de encarar o conhecimento, colocando o homem como agente ativo da sua busca e produção. Disso resultou a perspectiva de que tudo que existe pode e deve ser explicado pela razão e pela investigação, isto é, pela ciência.

REFORMA PROTESTANTE

  • Fruto da insatisfação da estrutura eclesiástica às necessidades espirituais por parte dos fiéis.
  • As críticas aos abusos do clero católico eram fortes: os católicos foram acusados de ignorantes, de praticar atos de imoralidade, de comercializar a fé por meio da venda dos sacramentos, das relíquias e das indulgências.
  • Martinho Lutero, monge alemão, foi o primeiro grande líder da Reforma Protestante. A Reforma Luterana surgiu em virtude de problemas específicos da Igreja alemã.
  • A venda de indulgências pelos dominicanos, ligados aos banqueiros Függer, foi o motivo inicial da ruptura entre Lutero e a Igreja.
  • O apoio dos príncipes alemães foi decisivo para a vitória de Lutero. Porém, a quebra da estabilidade provocou a revolta da pequena nobreza e dos camponeses.
  • Lutero foi condenado e excomungado e funda uma nova Igreja, na Confissão de Augsburgo estabeleceu as bases do credo protestante.
  • A disputa na Alemanha entre Protestantismo e Catolicismo foi resolvida na Dieta de Augsburgode 1555, ao determinar que cada príncipe decidiria que religião adotar em seus domínios.
  • Após Lutero, houve outros diversos reformistas tais como João Calvino (começou a Reforma Calvinista), Henrique VIII (criou o anglicanismo, misto de calvinismo e catolicismo) que começaram a se estabelecer pela Europa. 
CONTRA-REFORMA
  • O misticismo foi uma forma inicial de combate. 
  • Os tribunais da Inquisição impediram a difusão do protestantismo pelas regiões não atingidas pela Reforma. 
  • A Igreja católica passou então a perseguir aqueles que não seguiam a sua fé, principalmente na Espanha, em Portugal e na França, onde ainda o catolicismo se manteve como religião principal. 
  • Os condenados eram queimados na fogueira como forma de purificação de sua alma
  • O Concílio de Trento e a Companhia de Jesus procuraram reorganizar o clero e recuperar as regiões perdidas para o protestantismo.
A derrubada do catolicismo em várias partes da Europa Ocidental era a expressão final da crise do mundo medieval e da ascendência de um novo cenário: o mundo moderno capitalista.

RESUMO:


BIBLIOGRAFIA:

TORELLI, Leandro Salman; PEREIRA, Reginaldo de Oliveira. História moderna I
Batatais/SP: Claretiano, 2013.




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